Giorgio Armani- Milan Menswear Spring Summer 2016 - June 2016O maior site de moda nacional quiçá um dos maiores portais de moda do Mundo, o FFW levantou a lebre em matéria recente.

A matéria intitulada “Boa fase da moda masculina mundial é incentivo para mercado brasileiro sair da mesmice” (VEJA AQUI) nos trouxe diversos parâmetros de reflexão, inclusive com dados estatísticos, opinião de quem entende e informações segundo pesquisas.

Entrando no gancho da matéria não poderíamos deixar o assunto em branco e assim não será. A mensagem é clara e simples: OS HOMENS NO MUNDO ESTÃO CONSUMINDO MODA SIM E COMO FICA O BRASIL NISSO TUDO.

A cara da moda mudou. A roupagem da moda masculina também. As mentes são outras, as criações idem. Já não se veste como antigamente, já não se pensa que ser viril é não se importar com o assunto. Era de globalização, era de consumismo, uma pitada de crise na produção de roupas. O Mundo está de pernas para o ar. Marcas já não têm a mesma identidade.roberto-cavalli-inverno-2016-capa

Os fashionistas estão virando objeto de massa. As lojas de departamento popularizaram o consumo. Não se tem idade, nem tamanho, muito menos cor, os homens estão consumindo mais. Questionamentos mil, eles estão se vestindo melhor? Sim, talvez ou não. Pontos de vistas, questões culturais e até mesmo de referências pessoais.

Talvez, é claro em Londres, os costumes são formidáveis. Será? E a alfataria italiana então, nem se diga. Babemos. Mas ainda tem a produção em massa norte-americana. Não dá para saber. Opiniões, palpites e questionamentos a parte. Stop, é hora de olharmos para nossa moda.

Hipocrisia a minha se eu achasse que o brasileiro é mal vestido. Estar bem vestido é tudo questão de referência ou de padrões. Sem muita filosofia, o objetivo não é esse, mas é tudo questão do olhar míope do mosaico chamado miscigenação com DNA verde-amarelo. Enfim, o setor cresce no Mundo. E nós pegamos nosso banquinho esperamos o tempo passar. É bem isso.

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Embora se cite João Pimenta, Gig Coulture e Ratier. Indiscutíveis e inquestionáveis marcas de moda masculina.  Mas e ai? Qual a fatia do bolo que essas marcas atingem? Oiapoque como está a moda ai? No Chuí o que se tem produzido? Qual a tendência nacional do ano que vem nesse país?

Irredutivelmente vamos caminhar, caminhar e caminhar e não vamos chegar a nenhum lugar. Inclusive sinto-me parte de uma elite. Uma elite paulista, aquela que está presente no SPFW. Hipócritamente, a camada que produz e consome moda nesse país. Que consome moda, e digere muito bem. Somos especialistas em processar estrangeirismos. Oh, meia colorida. Precisamos comprar. Alfaitaria à La bolonhesa eu vou ter que ter. Adidas Jeremy Scott só porque sou cool.renato-ratier-marca-moda-endereco-capa

Zzzz, nem precisa ser especialista, nem ir muito longe. Produzimos pouco de moda masculina no país, ou quase nada. E quando produzimos submetemos os grandes guerreiros do Universo, como João Pimenta, Igor Dadona etc. a condições de produzir por amor. Nosso mercado vai mal, embora nós tenhamos aumentado o consumo. É como vender sopa no verão aqui. Ainda temos medo de ousar. As marcas remam contra correnteza, muitas morrem na praia. A corrida de espermatozóides só glorifica àqueles que atendem às necessidades do mercado. Vender conceitual nesse país é atingir meia dúzia, estar fadado ao insucesso, ou entrar na luta sabendo que já vai perder. Poucos tentam, a maioria não se arrisca e assim vamos sobrevivendo. Já dizia Lulu com passos de formiga e sem vontade. Aliás, isso quando caminhamos, por ora eu sinto a sensação que fomos congelados. Estamos sentados no banquinho vendo o tempo passar, a moda chegar e o consumo desencadear.

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Brasil, meu Brasil. Sementes de modernismo jogadas ralo abaixo. 1929 ficou para trás. Nós queremos copiar, tudo pronto e manter nosso mundinho redondo. Para que se atrever, isso é coisa de gay. Jeans, pólo e sapatênis. Básico, simples e bem-vestido, não tem como errar.

Acorda Brasil, não temos identidade. A vontade própria ficou para trás. O homem brasileiro é refém, ou não? Ele criou essa trajetória, paga pelo preço e se sustenta. Como consumidor tem poder. Não muda porque não quer. Até quando vamos vivendo assim?

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