O SMARTPHONE E A MODA (3)Para evitar superexposição, marcas querem banir redes sociais de seus desfiles

Adapta-se quem consegue. Sobrevive quem se adapta. Charles Darwin já dizia isso em sua Teoria sobre a evolução das espécies.

Na indústria, no setor empresarial e na prestação de serviços, a história não é muito diferente. Tende a ter mais sucesso quem com melhor produto/serviço, menor preço, ou, melhor qualidade atende aos anseios de seus clientes.

Para isso, como camaleões, as marcas precisam adaptar-se, evoluir-se e se modificar constantemente.

A globalização mercantil foi o marco inicial do que estava por vir. Hoje literalmente temos a dimensão do que seria falar em velocidade da luz, coisa antes tida como inimaginável.

Uma fração de segundos pode ser o tempo para replicação de uma informação no Mundo todo ou da compra de produtos na internet ou da descoberta de informações pela ciência.

A relação espaço/ tempo diminuiu. Não só diminuiu como saiu do controle do ser humano. A era da internet nos permite tomar conhecimento de fatos e acontecimentos de modo instantâneo, sem que para isso você precise estar no local, participando da festa ou lutando no campo de batalha.

Vivemos um momento crucial para moda. A realidade mudou e o modelo proposto por estilistas, desfiles e marcas já começam a dar sinais de inadequação ao momento vigente.O SMARTPHONE E A MODA (1)

Muito tem se discutido sobre os padrões atuais. Estilistas já não acompanham os ditames do mercado. A necessidade clemente de se inventar e criar tem deixado muitos nomes da moda de cabelo em pé. Hoje vítimas do sistema, muitos estilistas têm corrompido. A era pós-digital não perdoa. Cada segundo perdido representa cifras de perda e lucro a menos.

Tudo a que assistimos deve-se muito a instantaneidade trazida por smartphones. Artigo mais que de sobrevivência para quem quer que seja. Parte das terminações nervosas de muitas pessoas, prolongamento do cérebro de outros e até mesmo meio de sobrevivência de alguns.

A realidade é outra. Hoje qualquer um tem acesso à informação, de forma rápida e eficaz. A Era dos monges copistas já se foi, amém. E mais, toda essa informação pode ser transmitida por reles mortais. No instagram, os bloggers popularizam-se. Lá todo mundo é atleta, personal ou nutricionista. A moda passou a ser de todos. Todo mundo entende um pouco, ou se atreve a dar pitacos.

Por isso, o sistema de desfiles está obsoleto e atrasado senão em descompasso com a realidade atual. O consumidor almeja mais. Já não quer mais assistir no inverno às coleções de verão que demoram seis longos meses para chegar as vitrinas.

Hoje a vontade de se ter o produto com um só click é tanta que as marcas estão procurando se adaptar a toda essa transformação que os smartphones trouxeram aos desfiles, às criações e às marcas.

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Estamos vivendo um momento de mudanças, no qual, os profissionais do ramo estão percebendo que por questões de sobrevivência as mudanças serão inevitáveis.

A Burberry saiu na frente. Seus desfiles terão vendas de peças imediatas e ela vai deixar de nominar suas coleções em inverno e verão, já que uma marca com presença global não tem porque dividir coleções em estações. A Riachuelo também já fez vendas pós-desfiles. Igor Dadona anunciou recentemente vendas imediatas após seus desfiles e a semana de moda de Nova Yorque já prevê o mesmo sistema. São sinais de mudança na moda.

Por outro lado, a marca italiana MSGM, de Massimo Giorgetti, pediu para que os convidados do desfile na próxima semana de moda em Milão não usem o Instagram nem outras mídias sociais durante a apresentação. O recado estava impresso nos convites, para evitar os desavisados.

Vivemos um momento de bipolaridade extrema, em que duas correntes transitam simultaneamente. Há aqueles que utilizam os celulares como recurso, outros já entendem sê-lo uma praga.O SMARTPHONE E A MODA (4)

Dois pólos extremos, será o smartphone um tiro no pé? Ou será ele uma luz no fim do túnel?

Questão de tempo. Mas não de muito. A velocidade com que as coisas estão acontecendo nos trará uma resposta logo.

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Partilho-me da mesma opinião da Burberry. Esperta, ela adapta-se rapidamente a nova realidade mundial. Isso é algo que não conseguiremos banir ou impedir, já está mais que fixado no comportamento das pessoas. Opiniões a parte, há muitas pessoas que são totalmente avessas a esse contexto. Gostaria eu de saber alternativas e opiniões diversas, caso existam, por favor, comentem aqui.

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