alexandre-herchcovitch-desfile-masculino-verao-2015Da costela de Adão nasceu Eva. A partir daí nasceram famílias, grupos, sociedades, reinados e Estados. Assim foi, assim será para muitos até hoje.

Completamente cegos e doutrinados pelo yin yang da vida. Vivemos um Mundo de opostos. Paz e Guerra. Bem e Mal. Homem e Mulher. Nunca existiu meio termo. Aliás, até existiu. Mas a linha tênue que separa os dois opostos binários ficava no limo. À margem da sociedade, aquém da existência e longe do reconhecimento.

A maior luta pela sobrevivência começava quando o gameta masculino atingia o feminino, fecundando-o. O primeiro obstáculo. Homem ou mulher. Qual o sexo?

Nosso DNA estava em trabalho. Cromossomas de papai determinariam se saquinho roxo, ou bonequinha. Assim, iniciava-se a vida de uma criança supostamente normal (menino ou menina). Parabéns vocês serão feliz para sempre, até que …Leon-Mark-for-Candy_fy4

Do fundo da década de 80, eu renasço. Berço da democratização do país. Inflação econômica exacerbada. E, assim, alternei minha infância entre as décadas de 80 e 90. Uma cidadezinha de interior. TV em cores. Infância no campo. Show da Xuxa. Sabor de chocolate surpresa. Cheirinho de campo. Ostentação era ter super nintendo e Nike.

Uma infância normal. Uma família redonda. Uma educação nos padrões. Flashs, recordações e nostalgia. O tempo, isso ficou para trás. Anos de uma turbulenta adolescência onde eu esconderia toda minha sexualidade. Que fique claro aqui, nunca deixei de ser homem. Mas como um príncipe parnasiano enclausurado no seu castelo eu resisti enquanto pude. Segurei os tabus de uma sociedade preconceituosa, machista e ignorante. Aos 24 anos, após 10 grandes guerras com o meu ego, o meu interior e os meus princípios, assumi-me gay.

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Os tempos são outros, os conceitos também. Hoje fora dessa fossa, meus olhares para a sociedade mudaram. Adepto à uma vida descolada, á La concreto paulistano, em meio às festas undergrounds e conectado ao mundo da mundo da moda consigo entender os olhares míopes de uma sociedade com cabeça pequena e cérebro de ervilha.

Não somos binários, como a professora do primário nos ensinou. E não estou falando de bis, lésbicas ou gays. Pulem da ponte os evangélicos ou parem de ler esse texto já.

Não sou sociólogo para falar disso, mas nem precisa. Olhemos para o lado. Óbvio que na sombra de cidades grandes há inúmeros travestis, transexuais, transformistas e andróginos. Mas e ai? O que você fala daquela sua amiga que beija a amiga, mas não se considera bi nem lésbica. São os supostos heterossexuais não normativos. E aquele seu amigo que deu uma escapadinha e “comeu” o amigo. Foi deslize, mas rolou.

O Facebook recentemente permitiu mais de 40 gêneros diferentes. Nem sei falar todos. Aliás, nem precisa. Isso, apenas nos mostra que a nossa educação é obsoleta e ultrapassada. Que nossos pais, amigos e colegas não passam de ignorantes que vivem um mundo ultrapassado. O mundo não é bi mas sim pluri.

Inúmeros e infindáveis gêneros brotam todos os dias. Inexistentes sim, há quem nem se atenha ao caso. Marginalizados também. Mas existem. E lá fora as pessoas dão muito mais repercussão que aqui.

A moda mais que nenhum outro setor divulgou tanto e respeitou a diferença de gêneros. Estamos em um segmento mais aberto, eu entendo. Onde a processo elaborativo é diversificado por pessoas de diferentes gêneros.gender-bender-4

Mas com muita audácia a moda aponta para a sociedade uma nova Era. Ouso-me a dizer que sim o gender-bender está cada vez mais dominando passarelas, coleções e inspirações.

Androgínia na moda não é assunto novo. Lembra quando as mulheres colocaram calças. Nem faz muito tempo assim. Mas todo mundo esqueceu. O problema não são elas. Mas sim eles, que não usam saia, rosa ou sapato de salto.

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Sim, tem muita gente confundindo tudo ai. Apareceu um tal de Laerte que se veste de mulher, mas tem família. Ops. Cadê os padrões da família tradicional brasileira?Leon-Mark-for-Candy_fy8

É, a novela das nove tem que se adaptar. Mesmo com um bando de ETs, que só olham para o próprio umbigo, reclamando. Têm diversos tipos de família entrando no ar. Estamos perdidos, quem não quiser viver essa realidade vai ter que se isolar.

As araras das lojas, cada vez menos diferenciam masculino e feminino. Está tudo de pernas para o ar. A night paulistana foi invadida por homens de croppeds, leggings, saias e mini shorts. Que horror. A excêntrica Carlos Capslock nos traz um ar de está todo mundo muito parecido. Está todo muito livre. Cada um é o que quer ser. Sem preconceitos. É tudo muito evoluído. São as artes, a filosofia uspiana e as cabeças criadoras do SPFW preanunciando uma nova fase, uma nova tendência. Parabéns àqueles que deram o primeiro chute. O primeiro suspiro revolucionário foi dado. Aguardemos cenas do próximo capítulo, mas eu tenho certeza que agora o Mundo é de bigode e batom.

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