SlownessComo gansos na engorda para o “foies gras”, nascemos e somos compelidos a um ritmo duro e febril imposto pelo calendário gregoriano. Pós-útero materno, nós já cumprimos nossa rotina diária (mamas, banhos e naninhas). Nada anormal. Uma rotina comum e trivial de um pequeno bebê. Mas pare e pense. Esse bebê com o passar do tempo vai crescendo e assumindo cada vez mais tarefas, até se tornar um adulto com a agenda lotada das 6h às 22h, de segunda a segunda.

O parâmetro que nos cerca é o bater do relógio. E assim a vida continua no tic tac das horas, no voar das semanas e no caminhar dos anos. Até que a certo ponto, nós paramos e nos indagamos, onde vamos chegar? Ou também nunca paramos para perceber isso, por que não? Máquinas do sistema …

Pós-modernidade do stress. Anos 2000 do workaholics. Geração Y das doenças psiquiátricas. Qual mesmo é o prazo da vida?

Em contrapartida a esse cenário desesperador e também a um turbilhão de coisas (imagens, ideias, sons e ruídos) está o movimento slow.

Slow life

Slow em inglês significa “devagar”, ou seja, vamos desacelerar. Mas desacelerar em quê? EM TUDO, essa é a pista para chegada até o tesouro.

Parece mentira, mas quantas horas do seu dia você dedica a situações corriqueiras (que, por óbvio, não sejam em frente ao computador ou com os dedos no celular)?

Quantos momentos em família desperdiçados. Bons livros empoeirados na estante. Rodas de bar contaminadas por ruídos de mensagens de trabalhos. Eventos perdidos por ocasiões mil. Ah, você saboreia um bom prato como deveria? E aquele filme no cinema você o assistiu completamente sem que fosse dominado pela ansiedade? Poderíamos ficar horas e horas aqui citando exemplos, que vez ou outra serviriam de carapuça a qualquer um de nós.

Daí a gente pensa bem. Parece até o comercial do Pão de Açúcar. O que faz você feliz? Um abraço apertado. Ou um pão com manteiga no café. Ou a simples apresentação do filhinho na pré-escola?

Slow Fashion

Corriqueiras situações, momentos medianos e atos nada extraordinários, mas que fazem toda a diferença quando você percebe que “não deixou apenas a vida passar”. O movimento slowness parte exatamente desse pressuposto.

Na realidade a gente sabe bem o que tem que fazer, mas na prática faz tudo errado. Sabe como é né?

Tá bem então. A partir de hoje eu vou trabalhar menos. Sem hora-extra. Nada de serviço em casa. Menos plantão. Calma!!

Slowness movement não é apenas isso. É enxergar no seu dia a dia formas de mudar o ritmo global. Como? Na hora de adquirir um simples produto, por exemplo, saber a sua procedência, como foi produzido, se há empenho ambiental, a remuneração da mão de obra, entre muitas outras coisas.

Difícil, sim eu sei que é. Mas uma hora temos que começar.  O pontapé inicial vem com a nossa comida. Podemos plantá-la, seguindo o bom exemplo dos hortelões urbanos. Saber o que exatamente você está comendo, qual a quantidade de insumos, produtos e fertilizantes foi utilizada já é o primeiro passo para um bem-estar e para a sua saúde.

Slow food

Para os menos dedicados (preguiçosos!!!) o caminho pode ser as feiras orgânicas, a busca por produtos com procedência e selos de qualidade. Cozer seu próprio alimento seria um segundo passo.  Livrar-se de corantes, sódio, açúcar  e muitos outros males da indústria e das mãos milagrosas dos lanches rápidos e saborosos das grandes redes de fast foods.

Vamos desacelerar também nosso consumo pessoal. Por que não usarmos cosméticos veganos? Sim, cosméticos que não poluem o meio ambiente ou também aqueles que não são testados em animais.

Vamos consumir roupas com o selo slow. Sim, sabe a manufatura de esquina com tinturaria baseada em tingimento natural como faz Flávia Aranha. Vamos reaproveitar mais, comprar menos. Vamos explorar mais brechós. Ou que tal aventurar-se no guarda-roupa da avó. Lembre-se um modelo de vida inclui suas roupas. Por sinal elas não são descartáveis. Use, reutilize, recicle.

Slow fashion

Perceba quanta coisa dá para mudar. Perceba o quão amplo é o conceito slowness de vida. Ávidos pelo ter e pelo querer, esquecemos de que estamos em um Planeta. Esquecemos também de que esse grande ecossistema é feito de seres vivos aptos à extinção e com recursos  naturais FINITOS.

Mas o nosso maior esquecimento é o de que somos animais, cujo fim o mesmo de todos: a morte. Qual o sentido então de se correr, correr… buscar, buscar… querer, querer.. A plenitude da vida encontra-se nas conquistas, nas

Slow life

realizações e nos aprendizados.

O que esperamos então da nossa vida?

P.S.: Esse texto termina assim: com o condão de incitar no leitor uma real mudança, uma consciência interior e uma reflexão social. Acredito que muitos passarão batido e apenas daqui há alguns ou muitos anos quando as possibilidades de mudanças já tiverem se esgotado e que irão se arrepender de ter visto a vida passar pela janela,

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